quinta-feira, 1 de setembro de 2016

A estória de alguém

  Hoje conto-vos uma estória, uma estória de vida, que é minha mas poderia ser de outro qualquer alguém.
  Começa como tantas outras, eram dois pais que se amavam e que, certo dia, receberam a dádiva de ter um filho, eu.
  Não vou poder relatar os primeiros anos de vida, eu gostava mas é simplesmente impossível, não tenho qualquer recordação, nada além do que me falam ou do que as poucas fotografias que tenho me contam. Devo recordar-me desde que tinha para aí uns 5 ou 6, altura da primeira ida à escola, dos primeiros amigos, da primeira oportunidade de liberdade. Lembro-me de achar nessa altura que o mundo era mágico, que me deslumbrava com tudo, que as minhas únicas preocupações eram os arranhões nos joelhos e saber que ia ter sermão quando a mãe descobrisse as calças rasgadas.
8 anos, a primeira desilusão de amor… sabia lá eu que aquela não seria a primeira nem a mais difícil. Ela era a mais bonita da escola, cabelos castanho-avelã, os olhos mais verdes que já vi. Ainda tão pequeno e o meu coração já dava pulos de cada vez que ela passava por mim no recreio. Certo dia resolvi tentar a minha sorte, era um ano mais velha mas eu, feito valente, cheguei perto dela e roubei-lhe um beijo. Levei um estalo, bem feita, ninguém me mandou ser ladrão, ainda que ladrão de beijos. Lembro-me de chorar amargamente todo o resto do dia, de levar a minha mãe a achar que estava doente, de não querer comer, de adormecer ainda a soluçar. Acordei no dia seguinte como novo, como se já não me lembrasse dela, prometendo a mim mesmo que nunca mais me deixaria ser magoado. Estaria ia eu tão enganado, pobre criança inocente.
  Os anos foram passando e com eles mais umas quantas desilusões amorosas, coisas banais. Fui uma criança como tantas outras, tudo dentro dos padrões ditos normais. Na escola era um às e quanto às miúdas comecei a não lhes dar tanta importância, dava prioridade ao tempo passado com os amigos, para mim esse tempo valia ouro. Começavam a haver as primeira zaragatas, tinha eu uns quinze anos, um soco aqui e ali mas ao contrário do que acontecia com o campo amoroso, resolvíamos tudo rapidamente e ao outro dia éramos os melhores amigos outra vez.
  Depressa cheguei aos vinte, mal dei pelo passar do tempo, parecia ter passado a voar. Com os vinte a chegada das responsabilidades, do primeiro emprego e, vinha a descobrir depois, do verdadeiro amor. Ao contrário da primeira, desta vez era mais nova uns três anos, sem dúvida a mulher mais linda do mundo, muito idêntica à primeira, com os seus cabelos castanhos e olhos verdes, mas vinha acompanhada de um brilho que não dava para explicar. Esta também me deu uma bofetada da primeira vez que lhe roubei uma beijo mas ao contrário da primeira vez, eu continuei a tentar. Chorei de novo por uma mulher, mas não me importei, desta vez tinha resolvido dar luta, desta vez percebi que talvez houvesse alguém pelo qual valia a pena sofrer. E estava certo, realmente valeu a pena, o sofrimento vinha a ser recompensado e hoje em dia ela é a mulher da minha vida.
  Daí em diante a estória tornava a chegar ao ponto mágico do início mas com a consciência de que as preocupações iriam além dos joelho ralados ou dos rasgões na roupa.
  Não sei qual será o fim da minha estória, da estória deste alguém, mas resolvi dar-lhe continuação como se de um recomeço se trata-se:

Era uma vez dois pais que se amavam e que, certo dia, receberam a dádiva de ter um filho...

quinta-feira, 31 de março de 2016

Ser irmã

O que é ser irmã?
Não sei sequer se isso se pode definir mas por vezes sinto que é um papel difícil. Chega mesmo a ser, em certos assuntos e determinados momentos, mais complicado do que parece.
Ter irmãos, especialmente mais novos, é um enorme misto de emoções. É saber pegar nos momentos de zanga e discussões e embrulhá-los num manto de carinho e proteção, é ter acessos de raiva e quase de luta livre e ao mesmo tempo chorar se os magoamos, é querer dar-lhe ordens e ao mesmo tempo deixá-los domar os nossos corações, é saber guardar os mais misteriosos segredos e fazer “queixinhas” nas horas convenientes, é um autêntico reboliço de sentimentos e ações.
Ser irmã é saber de tudo primeiro que o resto da família, é ouvir os maiores disparates mas também os desabafos das primeiras desilusões amorosas, é ver nos irmãos os nossos melhores amigos mas custar admitir só para não dar o braço a torcer, é saber que vais ter toda a lealdade por parte deles e sofrer com pequenas picardias, é ter inveja dos seus traços mais belos e das suas maiores qualidades mas nunca concordar em elogiá-los, é proteger-nos mutuamente dos pais negociando “se tu contas isto, eu conto aquilo”.
Ter irmãos é vê-los crescer e vencerem as suas próprias metas e encher-nos de um gigantesco orgulho, é deixá-los errar para que aprendam e ajudá-los a levantar das suas quedas, é sonhar com sobrinhos a encher-nos a casa e o coração.
Não sei se há possível definição de irmã, mas se há, deve ser um livro enorme, uma verdadeira coleção deles.
E não precisam de ser irmãos de sangue, com os de coração acontece exatamente o mesmo. Sentimos a mesma quantidade de amor e necessidade de proteger, sentimos a mesma sensação de termos alguém que necessita dos nossos cuidados, sentimos o mesmo orgulho em os ter na nossa vida, em os ver crescer.
Quando se chama de irmão a um amigo sabemos a partir desse momento que o levaremos para a vida, que somos capazes de tudo por ele, que lutariamos por ele com as mesmas forças que lutamos por irmãos de sangue, que os seus filhos serão nossos sobrinhos também.
Até os irmãos que o nosso coração adota formam laços inquebráveis e extremamente fortes, não são sangue do nosso sangue mas se precisarem dele, dar-lho-íamos.
Irmãos, de sangue ou não, são a nossa maior alegria, faremos sempre tudo o que estiver ao nosso alcance por eles e ai de quem os magoar!

Ser irmã é ter nos irmãos o nosso primeiro amor. É ter com quem partilhar o quarto, a vida.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Pazes na cama

São 2 da manhã e não consigo dormir, os lençóis da cama já devem estar gastos de tantas as voltas que esta noite dei na cama. Já fiz de tudo, já contei os famosos “carneirinhos”, já cerrei com força os olhos na tentativa de adormecer mas eles teimam em abrir, a cabeça a mil não me deixa descansar, quanto em menos coisas quero pensar em mais penso, simplesmente não dá.
Sempre soube que o amor não é o mar de rosas que os contos-de-fadas dizem ser, nem nunca esperei que fosse. Desde o início, mesmo quando o fogo da nossa paixão ardia incessantemente como se não fosse ter fim, eu já esperava dias piores. Mas ainda assim, mesmo há espera de fases menos boas, odeio deitar-me e saber que também não dormes com raiva das palavras por nós ditas no calor da discussão desta tarde.
Eu sei, é difícil acreditar em mim, um traste que já tanto te fez sofrer. Sei que não fui em tempos merecedor da tua confiança, que cometi demasiados erros que não mereciam perdão mas prometi-te mudar e acredita, tenho feito um esforço. Juro-te que não te trai nunca mais desde que ameaçaste deixar-me da última vez que o fiz, morri de medo que cumprisses essa promessa e a partir daí que tenho feito de tudo para mudar e ser o homem que mereces que eu seja.
É verdade, as mensagens dela estavam no meu telemóvel, não o posso negar mas não houve retorno. Que tenho eu de fazer para que acredites em mim?
No fundo eu até mereço, enquanto acreditavas em mim eu mentia e com tanta mentira tornei-te na descrente que hoje és.
“Quem me dera que ela estivesse aqui esta noite...”, pensei eu no mesmo instante que ouvi soar a campainha. Abri a porta e lá estavas tu, ainda mais bonita do que o costume. Por momentos achei que tivesse por fim adormecido e estivesse então a sonhar, mas não. Tão rápido como abri a porta abri a boca para tentar de novo me explicar e fui silenciado por um beijo teu antes de terminar a primeira palavra. Num ápice desaparecemos da entrada e reaparecemos no meu quarto, os nossos lábios nunca mais se largaram e transbordavam desejo, um desejo mais forte que a força da nossa discussão de hoje.
Os lençóis outrora gastos pelo reboliço da minha insónia agora eram roçados pelos nossos corpos em brasa.
Eu sabia, o nosso amor é demasiado forte para que nos derrubem assim facilmente. 
E, no fundo, nós gostamos tanto de fazer as pazes na cama. Foi só juntar o útil ao agradável.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Beijo mágico

Hoje descobri que a magia vai para além de truques de ilusão e pode ser mesmo real.
Nunca mais vou esquecer o primeiro toque dos nossos lábios, da sensação que hoje me provocaste quando me beijaste. Um furacão no estômago, uma explosão no coração, um misto de emoções.
Parecia um encontro casual, mais um como os tantos outros que já tínhamos tido. Sentámo-nos na esplanada do costume a tomar o café do costume, as mesmas conversas banais, as perguntas sobre como tinha corrido a semana e sobre o cansaço do trabalho, coisas banais que faziam com que parecesse tudo igual mas vim a descobrir que o nosso encontro seria tudo menos idêntico aos anteriores.
Sei que sentia algo mais por ti, que para mim cada vez que me sentava a tomar café contigo algo especial dentro do meu coração crescia, mas nunca quis que isso se intrometesse na nossa amizade, usei das minhas boas qualidades de atriz para que não notasses que para mim eras mais do que um bom amigo, meti na cabeça que o sentimento não era recíproco e que não podia deixar transparecer qualquer emoção que te fizesse afastares-te de mim por não sentires o mesmo. Mas surpresa das surpresas, viria a descobrir mais tarde que afinal havia reciprocidade de sentimentos.
Acabamos o café e a conversa, pagámos a conta e acompanhaste-me gentilmente ao meu carro, como sempre o fizeste mas desta vez seria diferente e eu nem imaginava. Preparava-me para me despedir de ti quando de repente, sem me dares tempo para pensar ou agir, beijaste-me. Naquele momento acreditei em magia porque se aquele toque de lábios e a sensação que provocara em mim não era magia então também não devia estar muito longe de o ser.
Vim-me embora atordoada pelo acontecido, deixaste-me sem reação, sem saber o que dizer mas imagino que pela continuação apaixonada do beijo tenhas percebido que o queria tanto ou mais que tu.
Só quero poder ver-te de novo para fazermos a magia acontecer outra vez.

O teu beijo é mágico. Os nossos lábios tocaram-se e a magia deu-se.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Adeus

Minha querida,
Sentado à secretária do meu quarto escrevo-te esta carta. Escolhi este meio por covardia, por não ser homem suficiente para te dizer tudo o que te preciso dizer cara a cara, talvez também por ainda continuar a não aguentar ver esses teus tão doces olhos encherem-se de lágrimas de todas as vezes que sou um besta e te magoo.

Sim, um besta, pois outra palavra não há para descrever no que me tornei, nada descreve melhor a estupidez que cometi em ferir os sentimentos da mulher mais pura que alguma vez conheci, amaste-me sempre com todo esse teu frágil mas tão poderoso coração, amaste-me com toda a entrega possível e como nunca ninguém saberá amar-me e a única coisa que eu soube fazer foi dilacerar esse teu pobre coitado coração com as piores palavras e atitudes, atitudes infantis que um homem como eu nunca deveria cometer.
Consigo quase que ter na minha mente uma imagem tua a ler esta carta, posso imaginar os teus olhos transbordarem e sei que com o que te vou dizer te irei magoar de novo mas, felizmente, será a última vez. Felizmente por ser a última pois tu não mereces que ninguém te maltrate como eu o fiz, ninguém. Mereces tanto ser feliz, mas tanto. E acredita, nunca haverá alguém no mundo que deseje tanto ver-te feliz como eu desejo, feliz como sei que nunca foste ao meu lado, não por falta do teu esforço que foi infindável mas sim por falta do meu e pelo meu mau carácter.
Foste e serás sempre o meu grande amor, a mulher que mais amei, apesar de nunca o ter sabido demonstrar, e nunca mulher nenhuma terá na minha vida a importância que tiveste. Amei-te como pude e continuarei a amar mas não soube dar-te o que merecias, não soube mostrar-te o tremendo valor que tens e em vez disso só soube trazer-te tristezas.
O primeiro ano foi um mar de rosas mas depois disso cai na maluqueira de trair a mais fantástica mulher que conheci e que tive e tu ainda mais louca foste em me perdoar. Nesse momento achei que poderia fazer de ti o que quisesse, acreditei que podia só amar-te nos tempos livres e ter mais outros quantos amores simultaneamente, coitado de mim que fui tão parvo que achei isso ser possível, dei mais de mim a quem me queria para uma só noite do que a ti que me querias em toda a tua vida, que me desejavas não só na cama mas no resto dos cantos do mundo, nos bons mas também nos maus momentos, tudo o que te dei foram meia dúzia de desculpas esfarrapadas e milhentas desilusões e tu, ingénua e tão apaixonada, acreditaste e perdoaste sempre. Subestimei então a tua inteligência por teres sempre aceitado as minhas invenções e hoje descobri que o burro fui eu, burro em deixar escapar por entre os dedos a mulher da minha vida.
Sei que tens continuado a esforçar-te por prolongar a nossa relação, que tens tentado ver em mim uma réstia de bom coração e sinceridade mas eu não mereço tal amor e dedicação, não mereço que faças por mim tudo aquilo que nunca fiz por ti, não mereço que sejas infeliz na tentativa de me veres feliz a mim.
Quero dizer-te que quero pôr um ponto final nisto, no teu sofrimento e no meu. No teu sofrimento porque sofres continuamente por minha causa e no meu sofrimento por te ver sofrer. Não vou ser capaz de mudar, não vou nunca ter a capacidade de fingir que o que fiz não teve importância e tentar começar do zero, não vou nem quero. Quero que sejas feliz, sem mim, com alguém que te mereça e seja merecedor desse teu infinito amor, com alguém que dê mais por ti do que algum dia te dei, que dê tudo para ver esses teus lindos olhos brilharem acompanhados dum sorriso rasgado, alguém que deseje borrar esse teu sensual batom vermelho com um beijo em vez de fazer-te borratar o rímel com desilusões.
Felizmente será a última vez que te trago tristezas. Felizmente pois é a minha única tentativa, ao final de tantos anos, de tentar te fazer feliz. Será a última vez que choras por mim e se bem te conheço será mesmo a última.
Sei que, como grande mulher que és, não terás nenhum acesso de raiva e não rasgarás a carta mas sim erguerás a cabeça, enxugarás as lágrimas. Guardarás a carta numa gaveta como quem guarda o passado muito bem arrumado e aproveitarás a deixa para te dares finalmente a oportunidade de ser feliz.
Sê muito feliz, por favor. Promete-me.
Digo-te assim, adeus. Adeus à tua antiga e triste etapa comigo. Adeus ao teu sofrimento.

 Adeus.

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Hoje é Lady's Night!

  É sexta à noite e eu tenho a certeza que sei onde estás metida. Debaixo dos cobertores. Acertei?
  Ao teu lado um pacote de lenços, aposto, e a cabeça enfiada na almofada encharcando-a de lágrimas, sei que choras para libertar a amargura que as memórias de sexta à noite te trazem. Sei ainda que essa era a cama que sustentou as mais bonitas e também as mais divertidas histórias de amor entre vós, que era onde vos refugiavas nas noites frias de Inverno, era o vosso nicho de amor e de repente tudo acabou. Dói, é verdade, mas sabes tão bem quanto eu que tens de reagir, que estares para aí metida não vai adiantar de nada nem muito menos amenizar as dores e fissuras desse frágil coração.
  Sai, diverte-te, dança! Dança muito! Acredita que precisas disso para te libertar dessa dor, precisas sair e aproveitar a vida com os que realmente valem a pena, conhecer novas coisas, novas pessoas e preservar as que continuam do teu lado, os teus verdadeiros amigos nunca te abandonarão nem deixarão cair nesta fase menos boas. Confia em mim, sabes que sei bem do que falo.
  Outra coisa que precisas fazer? Elevar esse ego! Pois é, sei que passo os dias a dizer-te o mesmo e que tu teimas em te menosprezar mas eu não vou deixar que caias nesse erro, vou-te chatear quantas vezes forem necessárias, irritar-te ao ponto de quase ficares chateada comigo, encher-te a cabeça de frases repetidas, dizer-te com a maior sinceridade do mundo o quanto és linda, não só por fora mas também por dentro, e não me vou calar enquanto não vir crescer em ti esse amor-próprio que tanto te falta. Ninguém merece essa tristeza nem que te rebaixes, ninguém merece que te menorizes, pois tu és grande, bem grande … uma grande mulher e eu só quero fazer ver-te isso. Vou estar aqui do teu lado para te mostrar que és mais do que imaginas ser e que ainda serás mais ainda do que és, vou ajudar-te a recuperar e a fazer-te crescer e mostrarás a quem te maltratou de que massa é feita uma mulher. Pois crê, uma mulher pode ser um anjo muito delicado mas pode transformar-se na filha mais infernal do Diabo quando a pisam!
  Por isso, levanta-te dessa cama e anda. Põe o teu melhor batom e calça os teus melhores saltos. Rápido, estou à espera e já estou a arrefecer, não quero desculpas, vamos dançar e beber, a melhor terapia para mulheres de coração partido. Vamos, hoje é Lady's Night!




segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Cheira a saudade...

Estava eu deitada por cima da cama a devorar mais um livro, como já é habito meu, quando de súbito sinto uma estranha sensação, como se estivesse alguém por perto a contemplar-me. Percorri o quarto com um olhar rápido e até um pouco, confesso, assustado e não encontrei ninguém, nem um vulto tão pouco mas conseguia sentir um cheiro a perfume intenso, um perfume que sabia conhecer, perfume esse que parecia emanar de um corpo mas de pressa percebi que não se poderia tratar de uma presença corpórea pois se assim fosse os meus olhos tê-la iam encontrado. Revistei de novo o quarto, desta vez com um olhar ainda mais apavorado e veloz. E nada! Nem um rasto, nem uma face, nem um corpo, simplesmente um quarto vazio com um aroma no ar que eu reconhecia mas sabia não ser meu. Por momentos quase me fizera acreditar que os fantasmas existem mesmo mas entendi logo que não, depois de pensar por breves momentos percebi finalmente de onde conhecia tal fragrância, era o teu perfume, da tua lembrança, cheirava a lembranças dos momentos que passamos juntos. Era aroma a saudade. Já faz meio ano que, abraçando-nos, despediste-te de nós mais uma vez, com a promessa de voltar. Não é só o meu quarto que cheira a ti, a casa toda está empestada desse odor amargo a saudade.
A mãe parece uma barata tonta sempre de um lado para o outro ansiosa pelo momento da tua chegada, parece que passem os anos que passarem ela nunca se irá habituar a esta triste e pobre vida, a mais nova passa os dias envolta num misto de sentimentos próprio da idade e eu, tão idêntica a ti, deves adivinhar como ando, sempre a mesma mulher forte por fora e menina frágil por dentro. Conheces-me melhor do que ninguém, no fundo, sou igual a ti. Sabes bem que quando a saudade dá sinal de si o mais certo é aproveitar as noites para chorar, certificando-me antes que já dormem as duas profundamente para que não me ouçam chorar, na verdade sabes que não quero que me vejam dar a parte fraca mas também sabes que depois de abafar o choro saudoso na almofada recupero forças e levanto-me de baterias recarregadas, pronta a enfrentar a vida e o mundo. Nos momentos de maior fraqueza questiono-me sobre a justiça no mundo, pergunto-me porque é que isto tinha de nos acontecer logo a nós que somos uma família tão unida e que precisamos tanto uns dos outros, porque é que tive de crescer sem te ter tão presente como os outros miúdos, mas paro por aí. Reconheço, na verdade, que mesmo longe tu ainda consegues fazer-te mostrar mais presente e preocupado do que a maioria dos pais, ainda que passes quase todo o ano fora sei com toda a certeza que fazes mais por nós do que muitos dos ditos “chefes de família”. Revolta-me todas as vezes que ouço a miudagem dizer que está farta dos pais, dá-me a volta aos estômago ouvi-los falar mal do pai ou da mãe e suplicarem que desaparecessem das suas vidas por alguns dias, e o pior é que são exatamente estas as palavras que proferem. Infelizes, não sabem o que dizem, não conhecem a dor de crescer sem ter o pai e a mãe presentes todos os dias para nos apoiar e amparar as quedas, para nos ajudarem, e mais importante que isso, nos verem crescer. Desengane-se quem pensa que uma vida assim é um mar de rosas porque não é.
Em breve sei que voltarás para te abraçar de novo e aí o aroma desta casa renovar-se-á. Cheirará a carinho e proteção, este lar receberá de volta o perfume da alegria do reencontro pai e filhas, marido e mulher, o perfume do amor. Que esse dia chegue rápido pois este cheiro a saudade já incomoda.

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Vida Madrasta

A vida, por vezes, é mesmo injusta, não é?
Principalmente quando leva de nós aqueles que mais amamos de uma forma repentina deixando para trás apenas um nó apertado no coração de tanta saudade e um infindável livro de memórias.
Cada um vê a vida como quer e melhor entende mas, por mais que saiba que é um fenómeno natural, para mim a vida é tremendamente injusta quando leva para longe aqueles que mais amámos, assim, do nada, sem pedir licença.
Crescemos a aprender a lidar com a morte, a lidar com a partida eterna daqueles que nos são mais queridos e, por mais que ao longo dos anos adquiramos aptidões para tal, morremos sem saber como o fazer na perfeição. Parece, simplesmente, impossível. Afinal de contas, se por vezes nos custa tanto perder um bem material com fácil substituição, como podemos nós não sofrer ao vermos fugir-nos por entre os dedos um ser amado insubstituível? Como podemos nós deixar de sofrer com a perda de alguém tão importante? A resposta é simples: não podemos!
É óbvio que ao longo do passar dos anos amadurecemos ao passar por as mais variadas circunstâncias na vida e vamos tentando ser o mais racionais possível nas situações de perda, mas nunca chegamos a ser totalmente racionais, não se trata de uma coisa, trata-se de um ser humano que partilhou a vida connosco, que nos amou e ensinou a amá-lo também, que faz parte de nós.
Imagino perder alguém como se fosse arrancar um pedaço de nós, mas tenho a certeza que dói ainda mais do que perder uma parte do corpo e nem imagino o quanto doloroso isso possa ser.
Mas a vida é assim mesmo e temos que aceitá-la como tal, há que aceitar o quotidiano, as felicidades e infelicidades, as perdas e tudo o que as envolve.

Devemos tentar retirar de todas as situações o maior ensinamento pois acredito que talvez assim as coisas menos boas se tornem mais fáceis de suportar, mesmo quando se trata da morte, e que façamos de tudo para que os momentos bons sejam sempre (re)lembrados e nos façam felizes pelo simples facto de terem existido, mesmo que não se possam voltar a repetir.

quarta-feira, 29 de julho de 2015

Santo Deus como ela é linda...

Ai santo Deus como ela é linda... não dá nem para acreditar que é possível alguém ter criado uma obra de arte tão perfeita.
Obra de arte sim, porque se não assim a consideram, deviam. Aquelas curvas torneadas, a sua pele com um toque tão sedoso … ai aquelas curvas como me perco nelas. Aquele cabelo de tom avelã e aqueles olhos cor de esmeralda parecem ter sido pintados cuidadosamente à mão com o pincel mais suave e perfeccionista de sempre, toda ela parece uma escultura perfeita do ser humano mais belo à face da terra e se ela não é uma obra de arte então eu não sei o que é arte.
Chego a casa depois de mais um dia de trabalho e vejo-a todos os fins de tarde, na varanda, tomando o seu chá de menta predileto, cabelo apanhado num coque, metida entre livros, cadernos, lápis e canetas, embrulhada nos seus pensamentos, tentado escrever mais um dos seus textos que tanto gosta de escrever … e escreve textos tão lindos e profundos, ai como gosto de lê-los.
É ao apreciá-la, sem que ela dê por mim, que entendo a minha paixão por ela. Como não me apaixonar por um ser tão belo e magnifico como ela? Como se a beleza não bastasse ainda alia a sua tamanha formosura a uma mente de uma inteligência suprema. Impossível de não se apaixonarem por ela, acredito até que alguns já estejam apaixonados só de ler o que escrevo sobre ela, não será verdade? Aposto que sim.
Não importa se ela está de vestido e salto alto ou se apenas traz vestida uma camisa antiga e gasta e uns chinelos, ela transborda elegância. Já para não falar quando a vejo nua por entre os lençóis da nossa cama, aí cai o Carmo e a Trindade, fico sem fôlego só de contemplar tal beldade em sua plena naturalidade.
Às vezes questiono-me como é possível que eu tenha tido a graça e a honra de conhecer esta mulher tão bela, questiono-me ainda mais como foi possível que eu tenha tido a sorte de que ela se apaixonasse por mim, um tão simplório ser, mas ela diz-me que me ama e que sou o homem da vida dela, todas as noites, com um olhar tão terno e tão vazio de falsidade que eu deixo as questões de lado e aceito apenas essa tremenda sorte de a ter, acreditando em cada palavra e guardando-a com intensidade no coração.

Sou o homem mais sortudo que existe, disso não tenho dúvidas. Posso até nem ter a maior fortuna do mundo mas tenho com certeza a maior riqueza. Tenho-a a ela, o seu verdadeiro amor e sua mais profunda entrega e só isso importa, afinal de contas, é só isso que levarei desta vida.

terça-feira, 28 de julho de 2015

Foste a minha salvação



Queria tanto dizer-te que estava tudo bem, mas não estava.
Eu sei, eu finjo bem. Tinha mantido sempre um ar tão feliz que era praticamente impossível duvidar de tamanha felicidade, não era?
Pois é, é verdade que por vezes o som das minhas gargalhadas pode ser ouvido a quilómetros de distância mas na maior parte das vezes elas nem tão pouco eram genuínas, quase sempre eram completamente fingidas.
Tu conheces-me bem, sabes que tenho horrores de dar a parte fraca, sabes que posso sentir-me destruída por dentro mas que aparento estar alegre e bem disposta, sempre pronta a ajudar toda a gente, com uma vontade enorme de reerguer o mundo mesmo sem forças...
Devias ter visto o meu estado lastimável daquela noite fria de Janeiro, que me deixaste à porta de casa como de tantas outras vezes. Não duvidaste de nada e não te subestimo, eu sou mesmo boa atriz no que toca a sentimentos. Passei a noite a rir e a fazer rir todos os nossos amigos, fiz de tudo para disfarçar a tristeza que carregava ao peito, acho que ninguém deu por nada, era difícil fazê-lo. Nem tu que já me vais conhecendo as manhas conseguirias perceber que naquela noite eu sentia-me com o mundo a desabar, ainda não sabes decifrar quando as minhas gargalhadas exageradas são só o disfarce perfeito para a amargura que sinto, é normal que não o saibas. Despedi-me de ti com um enorme sorriso na cara, com um último beijo de despedida e aos teus olhos sei que parecia bem mas mal me deitei na cama chorei como já não me lembrava de chora há muito tempo. Se me perguntares o porquê eu não vou saber explicar-te, a psicóloga chamou-lhe depressão mas eu chamei-lhe apenas uma fase menos boa que estava prestes a superar.
Não me censures por não te ter contado antes, por não ter desabafado contigo, por não ter falado contigo mesmo sabendo que estarias ali, todo ouvidos, pronto a segurar-me nos teus braços e a tentar animar-me como só tu sabes fazer. Desculpa pelas vezes que respondi às tuas mensagens dizendo que estava tudo bem tendo lágrimas nos olhos, perdoa-me por cada vez que te disse que não queria sair por estar cansada quando no fundo eu só queria enfiar-me na cama e chorar a noite inteira sem que ninguém fosse a plateia da minha tristeza. No fundo menti-te, mesmo sem intenção de te magoar, mesmo até um pouco sem intenção de te mentir, mas foi a forma que arranjei de lidar com esta maldita fase.
Hoje escrevo-te não só para que perdoes esses meus pequenos passos mal dados mas também para te dar a alegria de me veres rir genuinamente de novo, para te fazer saber que hoje eu estou bem e que o teu amor foi a minha melhor cura mesmo sem te aperceberes muito bem disso, foi o teu carinho que me salvou deste abismo.
No final, depois de tanta instabilidade, foste a minha salvação, obrigado por me salvares, mesmo sem saberes, porque o amor sempre deveria ser a maior salvação e no nosso caso foi, obrigado por me salvares, mesmo sem saberes, porque o amor sempre deveria ser a maior salvação e no nosso caso foi.
Obrigado por todo o teu amor sincero e puro mesmo quando eu não era a pessoa melhor para amares.
Hoje eu estou bem, hoje riu de novo com alma e coração e devo-te isso a ti, meu grande amor...

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Fechei-te a porta

Fechei-te a porta.
E fechei-a no momento certo. 
Decidi pôr-me em primeiro lugar uma vez na vida, lugar onde eu já devia estar desde sempre, mas como diz o ditado, "mais vale tarde do que nunca".
Não fechei uma porta qualquer, foi a porta do meu coração, e foi das decisões mais certas que tomei na vida. 
Se me perguntarem se custou, não minto, a porta já se encontrava aberta para ti há tanto tempo que as suas dobradiças começavam a enferrujar, talvez por isso tivesse doído tanto, talvez porque já estava habituada a deixar a porta escancarada à tua espera. De início, de cada vez que me magoavas, deixava a porta apenas encostada mas tu começaste a trazer contigo tanta poeira, tanta tempestade, que a única solução foi fechá-la de vez. Trouxeste-me um furacão de mágoas e desilusões tão forte e violento que restou-me fechar o meu pobre coração a sete chaves para o tentar proteger...
O furacão atirou-me ao chão, parecia não terminar, sentia-o já a desmoronar-me por dentro, a destruir tudo o que de mais sensível e frágil havia em mim mas no fim de o vencer, abri janelas para arejar aquele coração tão sujo de mágoas e tristezas, arrumei tudo de novo no seu devido lugar. Repus a crença no amor na sua prateleira, coloquei a alegria de novo no meu sorriso, borrifei a alma com spray de esperanças, arrumei a lixeira que deixaste para trás e preparei-me para abrir portas e janelas de novo. Abri janelas para novas pessoas, novas coisas, abri portas para novas amizades, novos amores...
Reergui-me por meio dos escombros, levantei-me do chão onde havia sido deixada, recuperei as forças e voltei à luta pela felicidade.

Hoje sou feliz, hoje sou a menina feliz que já não era há tanto tempo...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Por ti, acredito de novo no amor

Sabes, meu amor, só te tenho a agradecer ...
- Obrigado por teres entrado na minha vida para me ensinar a acreditar de novo no amor.


Pois bem, é verdade, apareceste na minha vida num momento tão frágil, tão cheio e ao mesmo tempo tão vazio, tão cheio de coisas e pessoas novas e tão vazio de crédito no amor.
No momento em que pisaste o chão da minha vida o meu coração tentava recompor-se de um grande furacão que o tinha deixado destruído. Essa minha pequena caixinha cardíaca tinha sido dilacerada e despedaçada e começava nesse momento, a pouco e pouco, a tentar ganhar forças e a reconstruir-se mas ainda tinha dúvidas sobre se o amor verdadeiro existia mesmo ou se não passava apenas de um conto de fadas experenciado por farsas perfeitas disfarçadas daquilo que denominam por amor.
Foste-te aproximando aos bocacinhos, como quem quer entrar de mansinho sem fazer notar a sua presença, mas sem querer marcaste a tua presença de forma mais intensa do que ambos imaginávamos ser possível. Tudo tomou uma proporção tão imensa e profunda que, quando dei por mim, já me sentia de novo disposta a aceitar que talvez o amor fosse algo real e que não era o facto de alguém tentar denegrir a sua imagem que faria dele um sentimento menos digno, pois mostravas-me agora que ainda há quem saiba dar a este sentimento tão nobre o seu verdadeiro sentido.
Lembro-me de cada palavra de carinho, de cada gesto meigo e também desse teu lado desajeitado e brincalhão de me tentar animar, recordo toda e cada vez que deixavas escapar um pequeno pedacinho do que sentias por mim mesmo nunca sendo fácil para ti demonstrares o que sentes, relembro-me de cada vez que fizeste de tudo o que estava ao teu alcance para me animar quando eu enfrentava dias piores, recordo a primeira vez que me chamaste de princesa, de teu amor, do primeiro toque, do primeiro beijo … nada disso será nunca esquecido, disso podes ter certeza, lembro-me ainda das vezes em que me dizias que uma das minhas maiores qualidades era ser uma lutadora, de uma forma direta e sem rodeios, de um jeito diferente, que nunca ninguém o tinha feito e isso foi o que sem dúvida teve mais sentido para mim, soube nesse momento que havia uma pessoa especial do meu lado que valorizava o meu combate e esforço pelo meu futuro e achei isso sempre tão importante, tão reconfortante, tão decisivo. Afinal de contas eu acabava de recuperar de uma mágoa causada por não acreditarem e compreenderem a minha luta pela vida e pelo futuro que sempre idealizei, e ser vista como uma lutadora aos teus olhos fez-me, inexplicavelmente, feliz.
Hoje agradeço-te por isso, por me encorajares a lutar pelo que acredito ser melhor para mim, por me dizeres para seguir em frente com os meus sonhos e por me apoiares nisso.
Hoje agradeço-te o sentido que vieste devolver à minha vida, o sentido que vieste repor no meu coração, o valor e a crença que me fizeste voltar a dar à palavra “amor”.

Obrigado por tudo e por nada, por estares do meu lado e pela ânsia de me veres vencer e de venceres comigo...

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Amor da minha vida

Vejo em ti o amor da minha vida. É no brilho dos teus olhos que encontro a minha essência, é nesse teu sorriso tão próprio que encontra a razão do meu.
Há perdas que são verdadeiros ganhos e é bem verdade. Se não tivesse passado o que passei, perdido o que perdi, os nossos caminhos provavelmente não se teriam cruzado e tu não serias agora o meu grande amor. Na verdade não perdi nada, só ganhei.
Tive a sorte de te teres atravessado no meu trilho, mais sorte ainda de teres vindo para ficar e teres vindo marcar a minha vida de forma tão intensa.
Hoje eu sinto-me feliz. Pouco importa se amanhã continuarei feliz, não importa se amanhã acordares e não me amares mais pois vivo na certeza de que enquanto me amaste tudo foi sincero e intenso, não dá para fingir a entrega de corpo e alma da forma como te entregaste a mim, não dá para tentar forçar aqueles nossos beijos carregados de amor e paixão, arriscaria-me a dizer até, carregados de desejo. E são essas coisas banais mas tão nossas, que não dão para fingir, que me fazem feliz, que me fazem esperar que amanhã acordes e ao contrário da ideia de já não me amares, me ames AINDA mais...
Se sonho contigo acordada? Sonho. Se idealizo um futuro contigo? Sim. Mas também, de uma romântica incurável como eu, não se poderia esperar outra coisa. Dás-me o bem-estar e felicidade necessários para que eu me sinta tentada a desejar uma vida a teu lado, esse teu lado meio torto de demonstrar o teu amor é o que mais me apaixona e cada vez mais. Trazes-me aquela sensação de tranquilidade na alma e de coração cheio que preciso para me sentir feliz, contigo sinto-me como se uma aura de carinho e proteção me abrangesse, contigo sinto-me completa, completamente apaixonada, completamente feliz...

Vejo em ti o amor da minha vida porque vejo em ti uma vida repleta de amor.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Sê tu próprio!

Olha só para ti! Já viste esse sorriso lindo? Já reparaste como reluzem esses olhos que deixam qualquer um preso neles?
Porque haverias tu de querer ser igual a esse estereotipo que a falsa "moda" inventa? Isso fazer-te-ia mais feliz, ser igual aos demais fazer-te-ia feliz? Já pensaste que podes simplesmente marcar a diferença exatamente por seres diferente e não por seres mais um ser igual a tantos outros?
Deixa livre esse sorriso, segue os teus instintos, segue os princípios que tu respeitas e os teus ideais e vai ser tu próprio! Sem medos!
Para trás deixa no esquecimento o que achas que vão dizer de ti, esquece as possíveis críticas que te irão fazer e preocupa-te apenas em teres orgulho em seres o que és! Se tu gostares de ti, daquilo que és, acredita, muitos mais irão gostar! Os que mais criticam são os que menos diferença fazem, são os que no fundo desejariam ter a força e a coragem suficientes para serem eles próprios, são os que desejam ser como tu, quem gostar de ti de verdade gosta de ti pelo que és e não pelo que desejariam que fosses!
Não deixes nunca nada nem ninguém tentar te impor o que supostamente é o "certo" para se ser, não deixes que ninguém te mude só porque não concordam com a tua maneira de ser e com os teus pensamentos e ideias.
Num mundo no qual todos entram em guerra para serem iguais uns aos outros, marca a diferença! 
Sê tu próprio!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Sejamos Felizes!

 Ah, mas que bom ser feliz! Mas bom mesmo é conseguir ser feliz sendo nós próprios sem dependermos de algo ou de alguém.
É claro que é muito bom sermos a alegria de alguém e podermos ver a nossa alegria ser motivada por outra pessoa mas devemos acima de tudo propor-nos a alcançar a meta de conseguirmos ser felizes sem termos de depender do suporte de terceiros.
Que bom que é ver a felicidade nas coisas pequenas da vida, sorrir até sem razão porque o facto de estarmos vivos já devia ser motivo suficiente para vivermos alegres e de bem com a vida.
Esse é sem dúvida o patamar que pretendo alcançar! Quero muito conseguir ver apenas o lado bom das coisas, viver cada dia como se fosse o último, aproveitando cada minuto com a maior intensidade e felicidade do mundo. Quero aprender a ser feliz num estado tão pleno e harmonioso que fizesse com que até as maiores infelicidades da vida deixassem de ser causa para me sentir triste ou só. Queria saber ser feliz apenas pelo facto de existir, sem depender de nada nem de ninguém, pois sei que só assim a vida faria totalmente sentido e aprenderia assim a lidar melhor com qualquer tipo de perda, sei que assim qualquer perda seria apenas um facto natural e aprenderia a retirar apenas aprendizagem nas coisas menos boas da vida … que bom que seria!

Enquanto isso, enquanto não alcançamos essa etapa nas nossas vidas, que consigamos ser felizes com o que temos, façamos um esforço para ver em cada momento menos bom o que ele tem de melhor para nos ensinar … SEJAMOS FELIZES!

quarta-feira, 13 de maio de 2015

Te amo, não esquece

Estou pensando em ti …
Pois é, estou mesmo. Pensando no quanto te amo, no quanto te acho perfeito mesmo que tivesse mil e um defeitos, no quanto é bom sentir-me amada, pensando no bem que me fazes, em todos os teus esforços para me fazer sorrir, para me fazer feliz desse jeito que só tu sabes.
Estou pensando naqueles momentos em que me “picas”, que fazes de propósito só para me tirar do sério e como nesses momentos me fazes ficar irritada mas logo de seguida amar-te, cada vez mais.
Pensando como é bom te ter na minha vida, como é bom ter alguém a quem amar que me ame de volta, pensando na sorte que sinto de partilhar um sentimento tão puro e sincero contigo, de partilhar a minha vida contigo, de me fazeres viver os melhores momentos.
Penso em como tudo começou, em como de repente tudo se tornou tão intenso, tão forte.
Perco-me a pensar em ti, na imensidão do meu amor e carinho por ti, lembrando o perfume único da tua pele, o gosto dos teus lábios quando beijam os meus, o toque suave da tua mão quando toca a minha e cada lembrança me apaixona, de novo, mais e mais.
E quanto mais penso mais te amo, mais te quero, mais saudades tenho tuas …
Tens te tornado no tudo que eu mais quero para mim, na perfeição que me completa e que eu pensei não existir…
Estou pensando em ti, em mim, em nós …

Te amo, não esquece...

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Aos Melhor Padrinhos Académicos ...

Melhores Padrinhos do Mundo, 

Nem tenho palavras para expressar o quanto me orgulho de vos ter escolhido, o quanto sou agradecida por vos ter ...
Não encontro forma de descrever os momentos vividos ontem ... Foram únicos, memoráveis e inesquecíveis. As lágrimas foram difíceis de conter.
Trarei no coração todas as experiências que vivi convosco, toda a amizade forte e inigualável que construímos ... vocês são sem dúvida a minha FAMÍLIA de CORAÇÃO heart emoticon
É com a maior das certezas que afirmo que tenho os MELHORES PADRINHOS que alguém poderia ter! Não me arrependo nem por um segundo da escolha tão especial que fiz, não poderia ter escolhido ninguém diferente de vós, ninguém melhor que vós heart emoticon
Obrigado por me acolherem, obrigado por me ajudarem a crescer, obrigado por estarem lá sempre que eu preciso, obrigado por me proporcionarem o MELHOR BAPTISMO e a MELHOR SERENATA possíveis, OBRIGADO POR TUDO! heart emoticon
Nem tenho palavras para vos agradecer tudo o que fizeram e sei que continuarão a fazer por mim! heart emoticon
Sabem bem o imenso e gigantesco amor que sinto por vós heart emoticon
Vou levar-vos para sempre comigo no coração heart emoticon







O que CONTABILIDADE uniu, ninguém separa eart em

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Que o mundo gire a nosso favor!

Pois é, nem tudo o que vai, volta e nem tudo o que volta, fica.
Tem dias em que julgamos ter chegado ao fundo do poço, sentimo-nos sem rumo nem direção, dias em que nos sentimos sós por mais grandiosa que seja a multidão que nos rodeia.
Ás vezes tudo parece ter desabado bem ali debaixo dos nossos próprios pés, os pilares que fomos ao longo da vida construindo desfazem-se e o nosso suporte simplesmente se destrói.
E nesse momento parece que ficamos sem chão, ficamos sem vontade de nos erguer e tentar seguir em frente, de novo.
Há dias em que o mundo é cruel, pelo menos faz-nos pensar que é. Parece que tudo o que há de mau nos acontece e nós sentimo-nos perdidos, como num se estivéssemos perdidos túnel escuro e frio sem vista para uma possível saída.
Umas vezes rimos e outras chorámos, umas vezes levantámos e outras caímos. A vida é mesmo assim, não dá tréguas a ninguém.
Não somos mais nem menos que ninguém, cada um é como é, mas cada um marca a sua própria diferença, cada um lida com a vida à sua maneira.
Às vezes queremos fazer-nos de fortes, aguentar tudo, fingir que está tudo bem, engolir o choro e sorrir sem vontade, só porque queremos fazer feliz quem nos ama sem lhes dar preocupações. Mas nem sempre dá! Nem sempre conseguimos e um dia simplesmente deixamo-nos ir a baixo, só para poder enfim fazer desaguar os nossos desabafos juntamente com as nossas mágoas, entre lágrimas.
Há vezes o coração sente-se tão pequeno e tão apertado, sente-se sem cor, sem vida...
Sonhamos com o dia em que a nossa vida estará no maior auge mas às vezes também caímos na realidade de que isso é mais difícil de alcançar do que se pensa.
Mas o mais importante é nunca deixarmos de ir à luta e lutar com muito afinco pelo que mais desejamos, nada é mais importante do que nunca desistir do que mais queremos até à nossa última oportunidade, nunca devemos desistir daquilo em que acreditamos por mais impossível que pareça isso vir a concretizar-se, o epicentro de tudo está no foco da persistência e luta pelo que se quer.
A nossa alma e a nossa vida são como o tempo, uns dias de sol, outros de chuva, e ainda outros de vento ...

Deixem o mundo girar, até que ele gire a nosso favor!


quinta-feira, 9 de abril de 2015

Mulher, tão frágil mas tão poderosa

Mulher, um ser tão frágil e ao mesmo tempo tão poderoso.
Pois é, mulher pode ser o ser mais sensível e delicado à face da terra mas tem um poder inimaginável. Nunca duvide do poder feminino, mulheres têm aquele lado de boneca de porcelana que parece poder-se quebrar em cacos num instante mas têm também o dom de se transformarem numa verdadeira fera quando a fazem tornar-se numa, para sua própria defesa.
Mulher pode ser um anjo doce e meigo mas se a magoarem ou maltratarem ela provavelmente irá tornar-se no diabo em pessoa.
Mulher é também um ser misterioso, pode rir-se e pular de alegria e ainda assim esconder um coração dilacerado. Terão de saber olhá-la nos olhos com profundidade, conhecê-la bem para poderem desvendar o que ela realmente sente. É capaz de, depois de uma noite em claro a desabafar as suas mágoas em forma de lágrimas a sós com a almofada, levantar-se de manhã, vestir a capa de super-mulher e enfrentar mais um dia com toda a naturalidade, sem querer mostrar ao mundo as suas fragilidades, aparentando estar feliz.
Mulher é capaz das coisas mais incríveis e tremendas.
Uma mulher deixa de lado o sonho de ter um corpo esbelto para poder dar asas ao sonho de carregar em seu ventre um novo ser humano e essa é uma das coisas mais mágicas que uma mulher é capaz de fazer. Sofre durante nove meses a fio só para ter a felicidade de criar um filho. Magia mais pura que esta não pode haver.
Nunca tencione brincar com uma mulher. Se não tiver a intenção de amar de verdade uma mulher e saber cuidar dela tão bem quanto ela merece mais vale nem se chegar perto, pois depois de ela se sentir usada, maltratada ou magoada ela pode até sofrer horrores mas ela vai dar a volta por cima e vai seguir em frente com ainda mais atitude e ainda mais forte, irá torna-se provavelmente numa mulher de sonho e aí a vida encarregar-se-á sozinha de dar uma lição a quem magoou essa mulher. Mas se a tratar bem, se a amar e respeitar, cuidar de uma mulher tal como ela sonha ser cuidada, terá uma mulher dedicada e fiel para sempre ao seu lado.
Se as mulheres são todas iguais? Não, sou ciente de que há exceções, que nem todas são assim.
Se mulheres têm defeitos? Claro que têm, mas mesmo com todos os defeitos elas sempre serão perfeitas aos olhos de quem as ama.

Não queria ser outra coisa se não ser mulher.

segunda-feira, 30 de março de 2015

Suspiros de amor

“Ai, ele ...”, suspirava ela.

Cada vez que se fala nele os olhos dela brilham como não brilham por mais ninguém, parecem querer saltar das órbitas, o coração acelera, quase se ouve o seu batimento forte e apaixonado, o estômago dá voltas e voltas e uma felicidade incontrolável depressa lhe invade todo o corpo, instantaneamente. Cada vez que ouve o nome dele, ela já está aos pulos por dentro.
Pior quando o vê. Pode até vê-lo a metros de distância que sente-se como se ele estivesse ali, junto a ela. Tremem-lhe as pernas de cada vez que o vê ou que estão juntos, o batimento cardíaco aumenta de novo, toda a vez que se vêem parece a primeira vez em que se conheceram.
E ele não faz figura diferente da dela. Apesar de querer manter aquele seu lado maduro e seguro de si, todos sabem, no fundo, que ele também treme na presença dela, que os seus olhos se enchem de brilho quando fala nela, quando pensa nela, quando está com ela.
Ambos sentem o corpo tremer por dentro de cada vez que estão juntos, ambos se sentem como se fosse a primeira vez que se encontram de cada vez que se vêem, mesmo que seja a milésima vez que saem juntos.
Amam-se como se ainda fossem ingénuas crianças que só sabem amar, sem qualquer maldade ou segunda intenção, mas com uma atitude madura. Amam-se de uma forma tão sincera que ninguém duvida, entregam-se apenas um ao outro como só sabem fazer. Não sabem amar outro alguém, nem querem. Suspiram um pelo outro, respiram amor.

Ninguém nega o amor entre eles, nem o podem negar. Está à vista de qualquer um. Basta ver as suas ternas trocas de olhares, ver a forma como se completam, como se completam de uma forma tão perfeita que chega quase a parecer irreal, como riem um com o outro e um do outro com um jeito tão natural e cúmplice, basta vê-los juntos para perceber o quanto se amam, para reparar naquele amor puro e simples. Basta vê-los para perceber que isto sim, isto sim é amor.

quarta-feira, 18 de março de 2015

Carta aos primos ...

Primos ....
São como irmãos, não partilhámos a mesma mãe nem o mesmo pai mas partilhámos algo mais profundo, o mesmo sangue.
Cada um tem o seu lado especial mas todos têm de mim a mesma imensidão de amor, a mesma importância. Gosto de cada um da mesma forma, tenho para cada um o mesmo tamanho de pedaço de coração.
Tenho gratidão por cada um deles, por terem acompanhado o meu crescimento, por me verem crescer e ajudarem no que podem, por me amarem de forma sincera, mesmo quando não o mostram eu sei que amam e sei que se precisar eles estarão lá para mim tal como eles sabem que eu estarei lá para eles.
A vida dá voltas e voltas, leva-nos a conhecer outras pessoas, outros lugares, inevitavelmente partilhámos histórias diferentes uns com os outros mas ainda assim o laço de sangue que nos une nunca se quebra nem quebrará, apenas se fortalece. Tenho a certeza que sempre assim será, o que o sangue uniu nada destrói!
Não o faço tantas vezes como gostaria mas gostava de mostrar a cada um o amor que lhes tenho, o quanto agradeço a Deus por os ter na vida, o quanto sou feliz por fazerem parte de mim.
Há muitos tipos de amor no mundo mas o que sinto por eles, pela família em seu todo, é o amor mais puro e genuíno do mundo!
Por eles dava tudo, dava a vida e vivo na certeza de que eles o fariam por mim.
Quero poder-lhes mostrar o quanto me sinto sortuda por os ter e por isso escrevo este texto.
Desejo, do fundo do meu coração, que a vida lhes dê o que de melhor ela tem para oferecer, que lhes traga toda a sorte e felicidade do mundo e ainda mais alguma. O pior que lhes posso desejar é o melhor que desejo para mim, porque vê-los bem e felizes é para mim a minha maior felicidade.
Que continuemos todos unidos, que não deixemos nunca coisas fúteis nos separarem e nos colocarem de costas voltadas, que qualquer mágoa possa ser esquecida para vivermos o resto dos nossos dias em paz pois a família é a maior riqueza que temos! É o meu maior desejo!


Mais do que primos, amigos! Mais do que primos, irmãos!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

"Chore, desabe, niguém é obrigado a ser forte a toda a hora."

A noite cai lá fora, o sol despede-se no horizonte ...
  Chegou por fim a hora de deitar, de despir o vestido de menina forte e deixar as emoções à flor da pele. É no silêncio da noite que surgem todos os demais pensamentos e memórias, é aí que deixámos o sorriso falso de lado para dar lugar à libertação das tristezas, tristezas que se traduzem em lágrimas ... lágrimas que rolam pela face, quase como querendo acariciar-nos a pele com uma certa subtileza estranha e fria, lágrimas que desaguam nos lábios e lá morrem deixando um gostinho salgado e amargo, um travo amargo causado pela angústia de um pobre coração sofrido. É no escuro anoitecer onde finalmente podemos deixar de lado a máscara de durona, onde, não estando lá ninguém para ver, podemos desabafar agora as nossas mágoas na almofada, almofada que se torna a nossa melhor amiga, que houve os nossos desabafos sem contar a ninguém, que enxuga as nossas lágrimas e nos dá conforto, nos ajuda a adormecer e por fim, repousar e sonhar ...
  Um novo dia chegou, o sol raia lá fora, volta com ele a hora de vestir de novo o disfarce de senhorinha feliz e seguir em frente. Recarregamos baterias, pomos o nosso melhor sorriso e enfretamos de cabeça erguida mais um dia.
  Mais um dia cheio de lutas, carregado de emoções e batalhas,e lá estamos nós, prontas a combater tudo e todos, mais uma vez, a pisar até as nossas próprias dores mostrando sempre o quão fortes somos e tentando fazer parecer que somos felizes.
  No fundo, fazemos tudo isso porque apesar da nossa grande força interior, somos o ser mais frágil e débil à face da terra e morremos de medo de mostrar tais fragilidades. Receamos intensamente que descubram as nossas fraquezas porque vivemos aterrorizadas de que usem isso contra nós, que se aproveitem da nossa fraqueza para nos desprezarem e mal tratarem.
  Somos seres tão frágeis que temos medo que uma pequena pedra no sapato nos quebre como se quebra um vidro qualquer e simplesmente decidimos então não mostrar ao mundo como realmente nos sentimos por dentro.

"Chore, desabe, niguém é obrigado a ser forte a toda a hora."

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Sentada na poltrona

   Após mais um longo dia chegou a casa exausta, largou os sacos de compras pela casa e depressa se refestelou na poltrona e deu por ela perdida entre pensamentos...


 Questionava-se:
      "Como pode ele prender-me o pensamento assim? Como conseguiria um simples ser humano ser o culpado de todos os meus desejos, de todos os meus sonhos? Como poderia um beijo levar-me me às nuvens?”
     Quando primeiramente lhe tinham roubado um beijo ela sentiu a química que havia entre eles, sentiu o sabor da paixão ardente que transbordava em seus lábios. Mas agora a sensação era diferente, agora sentia uma vontade incessante de estar com ele a todo o momento, perdia-se a sonhar acordada com ele, a idealizar uma vida a dois … e lá no fundo ela sabia a resposta a todas as suas questões. Esboçou um sorriso bobo. “É amor”, entendia agora ela.
      Borboletas fervilhavam-lhe no estômago, não controlava os sorrisos parvos que dava de cada vez que pensava nele … toda ela era inundada de um sentimento tão intenso, tão caloroso e ao mesmo tempo tão suave, tão doce… sensações por ela nunca antes experimentadas. Por fim, o mais importante é que se sentia feliz, experimentava agora uma felicidade incontrolável e que parecia inquebrável.

      Em poucos momentos adormeceu, sentada então em concha naquela poltrona, e sonhou. 
Com ele. 
Mais uma vez.